sábado, 19 de setembro de 2009

Ainda no Rajastão...

Situações envolvendo Chanti e Indra também ficaram no ar

Meu irmão quase nunca entra no blog. Escrever um comentário então, só com muita insistência. Se chegou ao ponto dele dizer que preciso agilizar a elaboração desse luto, é sinal de que o negócio já tá ficando feio.


Carolina Oliveira - um belo exemplo de caracterização e interpretação em Caminho das Índias. A menina indiana mantinha os costumes, mas tinha o sonho de ser uma mulher indepedente, de escrever uma história diferente da de sua mãe



Mas essa quebra só vai acontecer quando eu concluir a empreitada da qual me incumbi: publicar aqui, no Mulher de Esparta, o reencontro de Raj e Maya do jeito que eu gostaria que tivesse sido.

Só que ainda faltam algumas considerações, que não posso deixar de compartilhar. Novamente aquelas cenas que esperei ansiosamente, mas não aconteceram. E aquelas dúvidas que ficaram sem resposta.



Hoje ela tem 14, mas foi aos 11 que viveu o auge de sua carreira: a atriz mirim foi indicada ao International Emmy, em 2005, na categoria "Melhor Atriz" pela atuação na minissérie "Hoje é Dia de Maria", exibida pela Rede Globo









1. Já imaginou a família Ananda reunida para assistir ao filme que Chanti gravou? Apesar de terem sido contra, tenho certeza de que não resistiriam a ficar orgulhosos. Consigo até imaginar dadi dizendo: "Só poderia ser a neta da melhor dançarina do Rajastão! Fui eu quem lhe ensinou todos os mudras!"



2. E aquele amigo colorido que fazia vários planos com Chanti antes dela fugir com a equipe do filme? O que foi feito dele? Ela simplesmente voltou com o Indra a tiracolo e nem deu satisfação? Só usou o rapazinho quando era conveniente? Are baba! Esses indianos estão me saindo pior que a encomenda...

Assista ao teste que Chanti fez para participar do filme de Bollywood. O menino estava lá, dando o maior apoio.




Oscar Fabião fez o papel do namoradinho que Chanti encontrava escondido na lan house, depois da aula

3. Chanti já tinha sido oferecida a Indra como noiva, por indicação de Pandit, e ele não deu a menor bola. Só foi se interessar por ela bem depois, quando a viu dançando na gravação do filme. Valeria uma ceninha do rapaz lembrando do dia em que viu a foto dela e desdenhou, né?




Dona Ashima (Mara Manzan) e o filho Indra (André Arteche), imigrantes indianos que têm uma pastelaria no bairro da Lapa, no Rio de Janeiro





4. E a dúvida que não quer calar: quem é o pai de Indra e Malika? Ele morreu? Se sim, dona Ashima era viúva e deveria usar branco, certo? Mas se ela usava roupas coloridas, é sinal de que ele está vivo... Alguém tem essa resposta pra mim?


(Continua no próximo post...)

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Víúva indiana não consegue "Viver a Vida"

De luto com o fim de Caminho das Índias, ainda não aderi à nova novela



Sei que é a primeira trama das oito com uma protagonista negra, que José Mayer e Thiago Lacerda são os galãs, que Taís Araújo é a heroína, que Aline Moraes é a semi-vilã, etc, etc.

Mas não adianta, não consegui assistir a um capítulo sequer da obra de Manoel Carlos. Fui muito leal a Caminho das Índias por todo esse tempo e ainda não me desvinculei. Talvez por muitos "finais" terem ficado em aberto, fico imaginando desfechos que me deixariam satisfeita.

O que posso fazer se tenho saudades das cenas que não existiram? É coisa de doido, mas sinto falta da emoção do que não foi ao ar. Enfim, não adianta ficar buscando explicação. Só as autênticas e assumidas noveleiras convictas sabem do que estou falando.

Lalit, a filha do sundra Gopal, interpretada pela atriz mirim Laura Barreto


- O que aconteceu com o Gopal? Ele, de fato, ficou com o dinheiro que ajudou Raul recuperar? Raj o denunciou? O dinheiro para o dote de Lalit está garantido? Ou ele foi obrigado a devolver e foi preso?

- Raul disse a Ramiro que devolveria parte do dinheiro. Mas eu só o vi entregando um pacote à Júlia, não foi isso? Aquilo era todo o dinheiro ou só uma parte? Ele entregou, de fato, alguma coisa para o Ramiro?

- A Suelen dançou com o Ademir mesmo sabendo que ele é esquizofrênico. Mas e o coitado do Maicon, que ela desprezou durante a novela inteira achando que era louco? Ele não teve a chance de estar por perto quando Inês entregou a mentira do irmão...

Último momento do protagonista com Niraj, antes de saber que o menino não é seu filho


- Que Raj perdoou a esposa a gente sabe. Mas e a relação dele com o bebê? Faltou a cena do reencontro dos dois. Será que ele aceitou o neném dalit como filho? Tudo indica que sim, mas é como Opash sempre diz: na Índia, dentro de todo "não" tem um "sim", e dentro de todo "sim" tem um "não"... Theek hai!

- Kochi, mãe de Maya, sofreu junto com a filha a novela inteira e foi sua maior cúmplice. Cadê o momento de Maya com sua parceira depois que Raj perdoou a mentira?

- Kochi não sabia que Rani também tinha guardado o segredo de Maya a sete chaves. Na hora em que todos ficaram sabendo, faltou a sogra agradecer à moça por ter sido tão fiel à família.

- E por falar em Rani, o casamento dela foi o primeiro da novela e a bichinha não conseguiu engravidar! Komal não é do tipo que falta com as responsabilidades de marido. E o casal, com certeza, não se precavia. Durante esse tempo todo de novela ela deveria ao menos ter ido ao médico pra ver se tinha alguma coisa errada.

Rani no dia do casamento com Komal, nos primeiros capítulos da novela



- E aquele embaço do filho do Guto com a diretora? O bebê não nasceu, não sabemos se ela continuou linha dura, se ele conseguiu se aproximar. Vamos combinar: manter a durona durante a gravidez é muito fácil. É só depois que o bebê nasce que vem a fadiga. Vai dizer que ela não arregou? Duvideodó, macaxeira mocotó, burra velha é sua avó! Muita mulher sofre porque o marido não ajuda a cuidar do neném. Imagine se ela dispensaria uma babá dessas?

- Sei que a Eva Todor estava internada e não pôde gravar os capítulos finais. Mas não custava nada inventar uma historinha só pra dona Cidinha não ficar no vácuo, né?

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sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Glória Perez precisa de mim!!!

Final de Caminho das Índias deixa telespectadora devota arrasada


Estou tão passada quanto Maya nesta foto




Se existe uma pessoa arrasada no dia de hoje, ela se chama Caroline Cardozo de Almeida. Não sei se há algo neste mundo que seja capaz de preencher este vazio. Sabe aquela sensação da Duda quando Raj destruiu seu castelo, seu conto de fadas? É a única situação que me vem em mente para descrever o tamanho da minha frustração. Se alguém puder me ajudar com as perguntas abaixo, talvez meu coraçãozinho possa ser confortado.

Onde é que o Bahuan estava na despedida do Shankar?

Opash se transformou, mas não se lembrou que tem um neto no Brasil?

Estou enganada, ou Márcio Garcia era um dos protagonistas da trama? Em três horas de novela, ele chegou a aparecer por três minutos?

Cadê as conversas decisivas entre Maya e Bahuan, citadas por Glória Perez no último domingo no Fantástico?

Bahuan ficou sabendo que Opash, aquele homem que o humilhou na infância, também é filho de Shankar?

Bahuan não teve nem curiosidade em conhecer o filho???

Shankar ficou sabendo que Bahuan teve um filho com Maya? Ele chegou a se arrepender por ter influenciado Bahuan a deixá-la na época em que os dois planejavam fugir?

Por que Duda e Raj não puderam se reencontrar para uma conversa madura e definitiva sobre Tony e tudo mais que aconteceu? Já que foi final feliz pra todo mundo, quem torcia pelo casal merecia esta satisfação.

E a minha maior dúvida: Maya precisa estar maquiada e enfeitada para Raj amá-la? Com a cara limpa ele não consegue encarar? (juro que estou até agora tentando entender aquela cena).

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Viuvário???

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Segundo o Censo de 1991, 8% de todas as mulheres da Índia são viúvas, ou seja, 34 milhões de pessoas


Até que é bonitinha essa casa de viúvas que aparece na novela, viu? E ainda bem que o diretor Marcos Schechtman não mostrou como funciona um "vivuário" de verdade lá na Índia. Se você tem curiosidade, assista ao filme Water (abrasileirado para "Gotas de Liberdade"), da cineasta indiana radicada no Canadá, Deepa Mehta. Ou leia um pouco sobre ele.

Além de não ter nenhuma vaidade, a viúva na Índia não pode nem comer comida temperada! Tudo porque, depois que ela se casou, tornou-se extensão do marido. E como ele se foi, a coitada também tem que morrer para os prazeres carnais. Vivem na miséria e são consideradas tão impuras quanto os dalits. Sem contar a exploração sexual e financeira à qual são submetidas. Mas isso, claro, é só agora, que a Índia está moderna. Antes elas tinham que seguir o exemplo da deusa Sati, a primeira mulher do famoso "Lord Shiva", e se jogar na pira em homenagem ao marido morto.


O canadense "Water" foi finalista do Oscar 2007 na categoria Melhor Filme Estrangeiro. Concorreu com o mexicano "O Labirinto do Fauno". Mas quem levou a estatueta foi o alemão "A Vida dos Outros"


Até a Anusha, mesmo criança, pode se tornar uma viúva, apesar de não ter consumado o casamento com aquele projeto de gente (ô moleque chato!). O filme sugerido mostra exatamente o exemplo de uma menina casada pela família que ficou viúva e precisou crescer num abrigo, cercada de privações.


Um ato político de 1956 estabeleceu que as viúvas devem ser consideradas iguais a todas as mulheres, mas a tradição ainda é muito forte



É, galera, o negócio é feio. Só não entendo como é que aquela naja da Laksmi tem tanta regalia naquela casa. Será que a idade se sobrepõe à maldição? Essa parte eu não entendi direito. De qualquer forma, a autora Glória Perez descreve mais detalhes da situação das viúvas indianas em seu blog "De tudo um pouco". Vale a pena dar uma olhada.

Depois de ler, vamos agradecer "aos deuses" por termos nascido brasileiras, podem ter certeza. Apesar, é claro, de que um Raj não faria mal a ninguém...

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quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Pronto, me rendi à voz do povo

Agora até eu quero que Maya e Raj fiquem juntos



Domingo 06.09.09 depois da participação do elenco no Domingão do Faustão


Usei tantos argumentos para justificar as burrices do Bahuan para, no fim das contas, chegar à conclusão de que ele não passa de um bundão. Bundão-gato, diga-se de passagem. Mas bundão.

Até pouco tempo ele vivia enchendo o saco da Maya pra saber por que ela não esperou por ele. Mandou carta, telefonou, inventou um monte de festa, até Erasmo Carlos e Nana Caymmi ele contratou. Aí, quando finalmente consegue a tão almejada informação, arrega! Nem Lord Ganesha explica a cabeça desse cara.

Em vez de tomar uma atitude de indiano macho e dizer à Maya que vai cuidar dela e do moleque, não! Faz aquela cara de bosta. Do que adianta ser criado por um brâmane e viver no meio dos marajás, se o dalit continua dentro dele? Por que ele não amarra uma pedra no pescoço e se joga logo no Ganges?

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segunda-feira, 7 de setembro de 2009

A pisada na bola de Duda

Orgulho ferido de Duda não justifica omissão sobre Tony




Confesso que gastei todos os argumentos possíveis e imagináveis para debulhar os erros de Raj e Maya em posts anteriores. Não medi esforços para metralhar bastante o lindo casal de mocinhos. Parecia até pessoal... Mas quem disse que não era?

Como tudo na vida tem uma razão que Freud explica, neste caso não seria diferente. O que posso fazer se me identifiquei com o conflito de Duda logo de cara? Sim, pura transferência! Confortaria-me ver um final feliz entre ela e o príncipe que lhe prometeu o conto de fadas. Era a chance de, pelo menos através da novela, concretizar o final feliz que não tive. E nem posso dizer que só percebi isso agora. Mas o bom é que este blog não tem a prerrogativa da isenção. Muito pelo contrário - tudo aqui é idiossincrasia!

Sofri o abandono de Raj junto com Duda e sempre arrumei um jeitinho de dar uma amenizada nas faltas dela. Em princípio usava o argumento de que qualquer uma de nós, brasileiras, poderíamos ser uma Duda, e não mereceríamos receber um golpe daquele. Não deixa de ser verdade. Mas não nego que este tenha sido um bom disfarce, que veio muito a calhar na época.



Só que Duda e eu começamos a nos distanciar a partir do momento que ela cometeu, o que pra mim foi seu maior erro - não contar a Raj sobre o filho que estava esperando. Não tem pressão de Opash ou gravidez de Maya que justifique decisão tão egoísta. Por mais que fosse dar trabalho, por mais que Raj já estivesse casado, por mais que o bebê não fosse trazer seu grande amor de volta, pai e filho têm o direito de saber da existência um do outro.

Essa história de que pai é quem cria só vale até a página 2. Vide a reportagem que foi ao ar ontem pelo Fantástico. Um funcionário público organizou uma verdadeira força-tarefa para achar três irmãs que não chegou a conhecer, porque foi adotado. O programa exibiu o emocionante encontro dos quatro. E o que marcou foi uma frase dele, enquanto abraçava as irmãs, todas já idosas: “Agora que encontrei vocês, posso morrer em paz”.




Temos o direito de saber nossa origem. Temos a necessidade de conhecer as árvores de onde brotou nosso DNA. Por mais que Lucas tenha aceitado ser o pai de Tony, é injusto o menino crescer sem saber que metade dele vem da Índia. E é maldade esconder de um pai que existe um pedaço dele crescendo do outro lado do mundo.

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segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Raj & Maya goela abaixo?

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"Fisicaquanticamente falando", como diria dona Melissa, a vida funciona no sistema ação-reação. Ou seja: colhe-se o que se planta. Seria muito surreal Maya e Raj continuarem juntos depois de uma mentira dessas. É forçar a barra legal. É lindo ver os dois juntos??? Sim, um sonho! Tem química??? E como! É possível construir um amor, como acreditam os indianos??? Sim, a novela mostra isso! Mas peço desculpas aos que torcem pelo casal.


Juliana Paes e Rodrigo Lombardi desfilam a coleção verão 2010 da TNG na Fashion Rio (jun/09) - clique aqui para ver o desfile


Não se constrói um amor com base na mentira, por mais que ela tenha todas as justificativas cabíveis, possíveis e imagináveis. Se Raj abandonou Duda sem ela ter feito nada de grave, por que seria tão altruísta a ponto de perdoar Maya? Por um amor construído no alicerce da mentira? Sorry! Não cola.

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Homem dos sonhos de quem?

Cenas românticas com Maya apagam o Raj covarde

O que aquela moça sofreu ao ser abandonada não se deseja a ninguém. Propôr a condição de amante à mulher a quem se prometeu casamento é o fim da picada! Coisa de cafajeste de primeira linha - tanto no Brasil como na Índia.



Raj e Duda se conheceram em Londres e namoraram por dois anos



A palavra não é tão importante na cultura hindu? Não é certa como "leite de mãe"? E as promessas feitas à Duda? E o castelo que ela construiu? Se Bahuan foi sacana, Raj foi um belo de um canalha. Basta qualquer uma de nós, firanghis estrangeiras, nos colocarmos no lugar dela. Depois que li no jornal Extra o depoimento da moça que viveu a mesma história na vida real, tive mais certeza disso. Muitos acharam exagero a cena em que Duda se jogou no mar para se matar. Mas a moça da reportagem conta que teve síndrome do pânico...



Depois de pedir demissão e vender tudo para viver com Raj na Índia, Duda recebe a notícia de que ele não vai contrariar a família



Para decidir esquecer Duda e construir um amor com Maya, Raj arrumou um jeito de enfiar na cabeça que Maya era melhor que Duda. Que Maya o faria mais feliz que uma firanghi estrangeira. Que Maya teria valores muito mais sólidos que uma brasileira. Deve ter pensado: "Veja como Maya é sincera: me contou que não era mais virgem. É esse tipo de mulher que eu quero ao meu lado! Não alguém que troca o símbolo do nosso amor por dinheiro (sobre o colar que Duda vendeu à Melissa)...".



Duda tenta suicídio ao perceber que seu sonho e desabou



Ele achou que tinha concretizado o sonho da família indiana perfeita. Só que Maya é de verdade! Não é esta mulher que ele idealizou! E Niraj não é seu filho (por mais que o pai seja aquele que cria...).



Família feliz: cerimônia em que Niraj recebe seu primeiro alimento sólido



E vamos combinar - Raj não pode ser tão abnegado assim! Desculpem-me, mas esse tipo de homem só existe nos contos de fadas e no inconsciente coletivo feminino. Cadê a sombra desse homem? O outro lado? A parte podre? Todos nós temos! Por que ele iria escapar? Ou o galã é tão evoluído a ponto de controlar totalmente sua obscuridade? Se é assim, que Raj se torne o saniasi que Shankar não conseguiu se tornar ainda!

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Heroína com culpa no cartório

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Maya NÃO fez questão que Bahuan soubesse da gravidez


A própria Juliana faz a maquiagem antes de entrar em cena. Só precisa de ajuda para os cílios postiços - clique aqui para ver


Não é a Índia o lugar em que se dá jeito pra tudo? Maya não se desdobrava para fugir de casa e se encontrar escondido com Bahuan? Mas o endereço de e-mail, o número de telefone, o msn, ou qualquer outra coisa que a levasse a falar com o pai de seu filho antes do casamento arranjado... Ah, isso ela não conseguiu.

Balela! Não vivemos mais na época das cartas escritas à mão. As possibilidades de comunicação oferecidas no mundo globalizado são vastas. A própria novela mostra isso toda hora. Se Maya quisesse mesmo ter contado tudo a Bahuan, daria um jeito. Chanti deu um jeito, Ravi deu um jeito e até Surya está dando um jeito.

É aí que questiono:

- Será mesmo que Maya não tinha nenhum problema com a origem de Bahuan?
- Será que a união com Raj não foi uma boa desculpa para ela não se tornar uma poeira?
- O fato de Maya ter sido frustrada com a ida de Bahuan não teria apagado aquela paixão e feito aflorar o preconceito incutido em seu caráter desde a infância?
- Se desde o início Maya soubesse que Bahuan era um intocável, teria se permitido apaixonar-se?

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sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Ninguém é inocente

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O fato de acreditar que Raj deva saber a verdade pela boca de Maya não significa que eu torça pelo casal. Que isso bem fique claro! Nunca escondi minha opção pelas configurações Raj & Duda e Maya & Bahuan.






Acredito que aqueles que julgam Bahuan de maneira simplista não conseguiram assimilar a dimensão do conflito vivido por um dalit. O que representa para um menino de aproximadamente oito anos ver a mãe morrer de uma maneira tão trágica por causa de uma condição imposta pela sociedade? Imagine a relação conflituosa que ele tem para com aqueles que lhe deram a vida?

A raiva que Bahuan nutre não é contra os homens de casta. Ele tem ódio da própria origem. Ao mesmo tempo que deve ser grato aos seus antepassados, conforme ensina a cultura indiana, ele é marginalizado justamente por ser descendente deles. Um pária, que é menosprezado por seu próprio povo, onde quer que esteja. Pode estudar, ficar rico, ter poder político, mas nunca deixará de ser uma poeira, um intocável.


Meninos dalits, na Índia


Não é preciso ser um grande entendedor de psicologia para saber que os traumas de infância provocam graves consequências na vida emocional de um adulto. E não é mais mistério que os caminhos trilhados por uma pessoa sempre remontam as lacunas que sobraram do seu passado. Sem dúvidas, se aquele menino tivesse tido a chance de escolher, seria um dalit pobre para o resto da vida caso pudesse salvar a vida da mãe. Bahuan, apesar de criado por um brâmane e estar namorando uma milionária, ainda se sente um dalit e está mergulhado neste conflito até hoje.

Concordo que o amor entre Maya e Raj seja muito bonito. Mas esse tipo de amor, que é "construído", tem na verdade um de seus principais pilares. Entendo claramente todos os motivos que levaram Maya a mentir. E não acho que ela deva ser castigada por isso. Mas o fato é: mentira é mentira.

E vamos combinar que Bahuan não é tão vilão assim. Maya ainda o amava quando ele apareceu no portão da casa dos Ananda depois do casamento com Raj. Qual a diferença entre ter fugido antes ou depois da cerimônia? Ela seria banida da casta e da família em quaisquer situações.





Bahuan errou quando foi sozinho para os EUA? Sim! Mas Maya também errou ao omitir o filho e enganar Raj. Raj, por sua vez, foi covarde e destruiu com um piscar de olhos o sonho de uma mulher, o qual foi criado e alimentado por ele próprio durante dois anos. O que Duda sofreu por causa deste homem não dá nem pra descrever.





Sei que a torcida maior é por Raj e Maya, mas concordo com a opinião que li no blog da autora Glória Perez. Se os costumes foram tão importantes para Raj quando ele fez o que fez com Duda, por que deixariam de ser agora? Só porque Maya é a heroína?

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